1 Visão geral
O Do Brasileiro ajuda consumidores a identificar quem controla as marcas que consomem e onde os produtos são efetivamente produzidos. O projeto não rejeita o estrangeiro: o catálogo inclui marcas e produtos brasileiros, estrangeiros ou ainda não classificados, e não atribui qualidade, desempenho ou mérito a partir da nacionalidade.
Para isso, há duas investigações independentes e uma operação que combina os resultados:
Classificação da marca
Quem controla atualmente esta marca? Responde-se pelo controle empresarial verificado. A origem histórica aparece separadamente, como informação.
Classificação da produção
Onde ocorreu a fabricação, montagem, desenvolvimento ou execução relevante deste produto ou versão? Avaliada item a item.
O selo é uma terceira operação
O Selo de Brasilidade é calculado a partir das classificações editoriais vigentes da marca e da produção. Uma marca pode ser investigada sem produtos, e um produto pode ter a produção avaliada sem que o controle da marca esteja determinado. Não há nota, soma ou percentual global de Brasilidade.
2 Marcas, produtos e empresas
A navegação do catálogo tem duas áreas: Marcas e Produtos. O título de cada ficha é o nome comercial reconhecido pelo consumidor, e não a razão social.
| Entidade | O que é |
|---|---|
| Marca | Identidade comercial pública de uma organização, família de produtos ou linha. Pode ser institucional (identifica uma organização ou grupo), guarda-chuva/comercial (reúne um conjunto de produtos) ou de produto/submarca. Uma marca pode ter mais de um papel; os papéis não são categorias de Brasilidade. |
| Produto | Item, linha ou versão comercial associada à marca principal. Pode ter fabricante diferente do titular da marca, e apresentações diferentes podem ter origens produtivas distintas. |
| Empresa jurídica | Organização identificada por razão social, CNPJ ou equivalente, sede, grupo e controlador. É registro de apoio documental: sustenta titularidade e controle e aparece nos detalhes da ficha da marca. |
A associação entre marca e empresa informa sempre o seu tipo: titular, controladora, licenciada, operadora, fabricante, distribuidora ou vínculo ainda em análise, conforme o que estiver demonstrado. Fabricação e operação comercial não implicam, automaticamente, titularidade da marca. Relações entre marcas (“submarca de”, “marca institucional associada”, “marca relacionada”) são explícitas e documentadas, mas não comprovam, por si só, propriedade jurídica.
Cadastrar uma marca não cria produtos, e cadastrar um produto não exige concluir o controle societário da marca.
3 Classificação da marca pelo controle empresarial
Para o Do Brasileiro, “marca brasileira” significa marca sob controle empresarial efetivo brasileiro comprovado, independentemente de onde tenha sido criada.
| Classificação | Critério |
|---|---|
| Marca brasileira | Controle final brasileiro documentalmente verificado. |
| Marca estrangeira | Controle final estrangeiro documentalmente verificado. |
| Controle compartilhado | Controle efetivo compartilhado entre brasileiros e estrangeiros. |
| Controle disperso | Estrutura dispersa comprovada, sem controlador predominante identificável. |
| Não determinada | Evidências insuficientes ou contraditórias sobre o controle final da marca. |
A investigação identifica, quando possível, o titular formal, a empresa controladora, a cadeia de controle, os direitos de decisão e a situação atual. Não é obrigatório obter contrato social ou percentuais exatos quando documentos e declarações específicas, atuais e consistentes sustentam razoavelmente a conclusão.
Quando não for possível concluir, a marca fica não determinada — a lacuna nunca vira “estrangeira”. Controle disperso só é usado quando há evidência da dispersão; não é sinônimo de “não sei”.
Origem histórica: informação, não classificação
O país em que a marca foi criada aparece na ficha como origem histórica, de caráter informativo. Ela não substitui o controle atual: uma marca criada no Brasil e adquirida por grupo estrangeiro é classificada como marca estrangeira depois de confirmado esse controle, e a ficha conserva a informação de que foi criada no Brasil. O inverso também vale.
Sem classificação pela origem
Não existe classificação brasileira ou estrangeira provisória com base na origem histórica da marca. Enquanto o controle atual não estiver verificado, a marca é não determinada. A regra de precedência com recurso à origem, da versão 3.0, foi revogada.
4 Classificação da produção
A produção é avaliada por produto, linha ou versão, conforme o alcance das evidências. Não é preciso calcular o valor dos insumos nacionais nem a proporção de componentes brasileiros: a produção nacional inclui transformação ou montagem industrial relevante no Brasil, mesmo com insumos importados.
| Classificação | Critério | Produção brasileira para o selo? |
|---|---|---|
| Produzido no Brasil | Fabricação ou transformação substancial realizada no Brasil. | Sim, se verificada. |
| Montado no Brasil | Montagem industrial relevante realizada no Brasil. | Sim, se verificada. |
| Desenvolvido, Impresso ou Serviço executado no Brasil | Equivalentes nacionais para software, livros físicos e serviços (ver regras por categoria). | Sim, se verificada; indicado separadamente. |
| Produção internacional | Operações finais relevantes em diferentes países, ou versões de origens distintas sem identificação segura da versão considerada. | Não automaticamente. |
| Produzido no exterior | Fabricado fora do Brasil e importado pronto, sem industrialização relevante aqui. | Não. |
| Não verificada | Faltam evidências suficientes para classificar a produção. | Não. |
O que não é produção brasileira
Revenda, distribuição, armazenagem, rotulagem, reembalagem simples ou pequenos ajustes não são produção brasileira para esta finalidade. Matérias-primas e peças importadas não tornam estrangeiro um produto fabricado ou montado no Brasil. A localização de uma fábrica no país não comprova a fabricação de todos os produtos da marca.
5 Regras por categoria
| Categoria | Critério produtivo |
|---|---|
| Alimentos e bebidas | Elaboração e processamento: transformação, fermentação, cozimento, beneficiamento e envase integrante do processo. Mero reenvase ou rotulagem de produto acabado não basta. |
| Bens industriais | Fabricação ou montagem industrial relevante, distinguindo a importação do bem completo. |
| Software e aplicativos | Desenvolvimento substancial do produto (Desenvolvido no Brasil). Servidores, bibliotecas externas ou revenda de licenças não definem a produção. |
| Serviços | Execução efetiva do serviço (Serviço executado no Brasil). O país do faturamento não determina sozinho a execução. |
| Livros físicos | Impressão da edição (Impresso no Brasil). Autoria e editora são informações próprias da obra; a classificação da marca segue o controle do selo editorial. |
| E-books | Produção editorial e digital, sem simular local de impressão. |
Os equivalentes nacionais — desenvolvido, impresso e serviço executado no Brasil — satisfazem a condição produtiva do selo e entram no filtro “Produção brasileira”, sempre identificados pelo próprio nome.
6 Evidências e estados de verificação
Toda classificação aponta para fontes verificáveis, com data ou período de referência e justificativa. As exigências são as mesmas para resultados brasileiros e estrangeiros.
-
Verificada por evidência direta
Fonte específica que comprova a afirmação: documento oficial, rótulo que identifica o fabricante, documento societário, declaração técnica do fabricante ou registro público.
-
Verificada por convergência
Conjunto coerente de evidências positivas e independentes que, analisadas em conjunto, fundamentam a conclusão. Para a produção, é preciso demonstrar o vínculo entre este produto e a fabricação, sem contradições não resolvidas. Somar “fábrica no Brasil + catálogo + CNPJ” não basta.
-
Declarada
Informação atribuível a uma fonte identificada, cuja suficiência ainda precisa ser avaliada ou tem limitações relevantes.
-
Indiciada / em análise
Informações sugestivas, incompletas ou conflitantes, insuficientes para confirmação.
-
Não verificada
Nenhuma base suficiente para a classificação pretendida.
Valor e estado de evidência são campos diferentes. “Produzido no Brasil — indiciado” não autoriza selo; “Produzido no exterior — verificado” autoriza informar produção estrangeira. A ausência de prova não é tratada como prova negativa.
A evidência de uma linha pode abranger versões comprovadamente equivalentes, sem exigir comprovante de cada lote. Havendo diferenças conhecidas entre mercados, modelos, apresentações ou períodos, a classificação é discriminada.
7 Selo de Brasilidade
O Selo de Brasilidade é uma identificação informativa do Do Brasileiro, atribuída a um produto — não a uma empresa nem a uma marca isoladamente.
Selo de Brasilidade
Regra de concessão
- (A) a marca principal do produto está sob controle empresarial brasileiro verificado e aprovado; e
- (B) a produção daquele produto ou versão está classificada como brasileira, com evidência suficiente e aprovação editorial — produzido ou montado no Brasil, ou o equivalente nacional da categoria.
| Marca | Produção do produto | Selo |
|---|---|---|
| Brasileira, verificada | Brasileira, verificada | Selo de Brasilidade |
| Brasileira, verificada | Ainda não verificada | Pendente de verificação da produção |
| Não determinada | Brasileira, verificada | Pendente de verificação da marca |
| Estrangeira, verificada | Brasileira, verificada | Sem selo; aparece no filtro “Produção brasileira” |
| Brasileira, verificada | Produzido no exterior, verificado | Sem selo |
| Controle compartilhado ou disperso | Qualquer | Sem selo pela regra atual |
O selo não é nota nem certificação
O selo não é nota, percentual de Brasilidade, certificação oficial nem indicador de qualidade. O valor que ele agrega ao produto é decisão do consumidor. Não há selo pela origem histórica nem concessão automática a partir de dados sugeridos por inteligência artificial.
O selo é recalculado sempre que a classificação da marca ou a da produção muda, e cada alteração fica registrada no histórico do produto. A ficha distingue pendente (falta evidência) de sem selo (condição comprovadamente não atendida). A ausência do selo não significa que o produto seja estrangeiro.
Filtros independentes
- Marca brasileira, na área Marcas e nos filtros de Produtos — somente controle verificado.
- Produção brasileira — produzido e montado no Brasil verificados, mais os equivalentes nacionais, indicando o subtipo.
- Com Selo de Brasilidade.
- Resultados não classificados têm filtros próprios e nunca aparecem como estrangeiros. Combinar “marca brasileira” e “produção brasileira” não equivale ao selo sem aprovação editorial.
8 Relatórios de investigação
Relatório de Investigação de Marca
Pesquisa titularidade, empresa responsável, controle empresarial final, classificação da marca, evidências e pendências. Pode ser produzido sem investigar produtos.
Relatório de Investigação de Produção
Pesquisa um produto, linha ou versão: fabricante, local e natureza da produção, evidências diretas ou convergentes, temporalidade e pendências. Não precisa investigar novamente quem controla a marca.
Não é necessário um terceiro dossiê reunindo as duas pesquisas: o selo combina as classificações aprovadas. Cada relatório público informa data, versão do protocolo, ferramenta utilizada quando conhecida, fontes originais, conclusões, limites e estado da revisão editorial.
Relatório elaborado com assistência de inteligência artificial é documentação da pesquisa — não é fonte primária nem auditoria. Fontes e afirmações ficam vinculadas ao campo que fundamentam, e informações confidenciais não são expostas.
9 O que não é interpretado como prova
- CNPJ, sede, fábrica ou nome brasileiro não comprovam controle brasileiro da marca.
- Fundador ou sócio-administrador brasileiro não comprova controle final; a nacionalidade não é presumida pelo nome da pessoa.
- A origem histórica brasileira não comprova o controle atual.
- Fabricar ou operar comercialmente uma marca não implica ser sua titular.
- Uma fábrica no Brasil não comprova a fabricação de todos os produtos da marca.
- A classificação de uma linha não comprova a de todos os seus modelos com diferenças conhecidas.
- Ausência no catálogo ou falta de prova não é evidência de origem estrangeira.
- Texto gerado por inteligência artificial não é fonte primária.
10 Exemplos de classificação
Casos conceituais, que não se referem a marcas reais.
| Situação | Marca | Produção | Selo |
|---|---|---|---|
| Marca criada no Brasil, controle não determinado; produto feito no Brasil (verificado) | Não determinada | Produzido no Brasil | Pendente |
| Marca criada no Brasil, controle estrangeiro verificado; produto feito no Brasil | Estrangeira | Produzido no Brasil | Sem selo |
| Marca criada no exterior, controle brasileiro verificado; produto feito no Brasil (verificado) | Brasileira | Produzido no Brasil | Com selo |
| Controle brasileiro verificado; montagem industrial relevante no Brasil verificada | Brasileira | Montado no Brasil | Com selo |
| Controle brasileiro verificado; produto importado pronto | Brasileira | Produzido no exterior | Sem selo |
| Controle brasileiro verificado; produção apenas indiciada | Brasileira | Indiciada | Pendente |
| Controle compartilhado ou disperso | Compartilhado / disperso | Qualquer | Sem selo |
| Sócio-administrador brasileiro localizado, sem prova do controle final | Não determinada | — | Pendente |
| Uma marca brasileira com dois produtos de origens produtivas diferentes | Brasileira | Classificada item a item | Somente no produto que cumpre os requisitos |
Em nenhum caso é calculado um índice como “73% brasileiro”. Cada pessoa avalia o que considera relevante.
11 Limites e versões
- A classificação e o Selo de Brasilidade são uma metodologia informativa própria do projeto e não representam certificação oficial de origem.
- Estruturas societárias e cadeias produtivas mudam. Classificações são revistas quando surgem novas fontes, preservando o histórico.
- A metodologia não mede qualidade, sustentabilidade, impacto econômico ou qualquer atributo além do controle da marca e da localização da produção.
- Mudanças são públicas e registradas, conforme as regras de evolução das normas.
Histórico de versões
Versão 4.0, de 15 de outubro de 2026: separa a investigação de marcas da investigação de produtos, define a nacionalidade da marca pelo controle atual verificado e exige as duas classificações verificadas para o selo. Versão 3.0: substituída em 15 de outubro de 2026; não vale mais como regra. Classificações feitas sob a versão anterior foram mantidas como registro histórico e não concedem selo até nova revisão.