Metodologia · versão 4.0

Metodologia de Brasilidade

O catálogo é organizado pelos nomes de marcas conhecidos pelo público e por produtos. A nacionalidade da marca depende do controle empresarial atual verificado; a produção é avaliada por produto. O Selo de Brasilidade pertence ao produto e exige as duas condições brasileiras comprovadas e aprovadas editorialmente.

Versão 4.0 da metodologia, de 15 de outubro de 2026. Substitui a versão 3.0.

1 Visão geral

O Do Brasileiro ajuda consumidores a identificar quem controla as marcas que consomem e onde os produtos são efetivamente produzidos. O projeto não rejeita o estrangeiro: o catálogo inclui marcas e produtos brasileiros, estrangeiros ou ainda não classificados, e não atribui qualidade, desempenho ou mérito a partir da nacionalidade.

Para isso, há duas investigações independentes e uma operação que combina os resultados:

Classificação da marca

Quem controla atualmente esta marca? Responde-se pelo controle empresarial verificado. A origem histórica aparece separadamente, como informação.

Classificação da produção

Onde ocorreu a fabricação, montagem, desenvolvimento ou execução relevante deste produto ou versão? Avaliada item a item.

O selo é uma terceira operação

O Selo de Brasilidade é calculado a partir das classificações editoriais vigentes da marca e da produção. Uma marca pode ser investigada sem produtos, e um produto pode ter a produção avaliada sem que o controle da marca esteja determinado. Não há nota, soma ou percentual global de Brasilidade.

2 Marcas, produtos e empresas

A navegação do catálogo tem duas áreas: Marcas e Produtos. O título de cada ficha é o nome comercial reconhecido pelo consumidor, e não a razão social.

Entidades do catálogo
EntidadeO que é
MarcaIdentidade comercial pública de uma organização, família de produtos ou linha. Pode ser institucional (identifica uma organização ou grupo), guarda-chuva/comercial (reúne um conjunto de produtos) ou de produto/submarca. Uma marca pode ter mais de um papel; os papéis não são categorias de Brasilidade.
ProdutoItem, linha ou versão comercial associada à marca principal. Pode ter fabricante diferente do titular da marca, e apresentações diferentes podem ter origens produtivas distintas.
Empresa jurídicaOrganização identificada por razão social, CNPJ ou equivalente, sede, grupo e controlador. É registro de apoio documental: sustenta titularidade e controle e aparece nos detalhes da ficha da marca.

A associação entre marca e empresa informa sempre o seu tipo: titular, controladora, licenciada, operadora, fabricante, distribuidora ou vínculo ainda em análise, conforme o que estiver demonstrado. Fabricação e operação comercial não implicam, automaticamente, titularidade da marca. Relações entre marcas (“submarca de”, “marca institucional associada”, “marca relacionada”) são explícitas e documentadas, mas não comprovam, por si só, propriedade jurídica.

Cadastrar uma marca não cria produtos, e cadastrar um produto não exige concluir o controle societário da marca.

3 Classificação da marca pelo controle empresarial

Para o Do Brasileiro, “marca brasileira” significa marca sob controle empresarial efetivo brasileiro comprovado, independentemente de onde tenha sido criada.

Classificações públicas da marca
ClassificaçãoCritério
Marca brasileiraControle final brasileiro documentalmente verificado.
Marca estrangeiraControle final estrangeiro documentalmente verificado.
Controle compartilhadoControle efetivo compartilhado entre brasileiros e estrangeiros.
Controle dispersoEstrutura dispersa comprovada, sem controlador predominante identificável.
Não determinadaEvidências insuficientes ou contraditórias sobre o controle final da marca.

A investigação identifica, quando possível, o titular formal, a empresa controladora, a cadeia de controle, os direitos de decisão e a situação atual. Não é obrigatório obter contrato social ou percentuais exatos quando documentos e declarações específicas, atuais e consistentes sustentam razoavelmente a conclusão.

Quando não for possível concluir, a marca fica não determinada — a lacuna nunca vira “estrangeira”. Controle disperso só é usado quando há evidência da dispersão; não é sinônimo de “não sei”.

Origem histórica: informação, não classificação

O país em que a marca foi criada aparece na ficha como origem histórica, de caráter informativo. Ela não substitui o controle atual: uma marca criada no Brasil e adquirida por grupo estrangeiro é classificada como marca estrangeira depois de confirmado esse controle, e a ficha conserva a informação de que foi criada no Brasil. O inverso também vale.

Sem classificação pela origem

Não existe classificação brasileira ou estrangeira provisória com base na origem histórica da marca. Enquanto o controle atual não estiver verificado, a marca é não determinada. A regra de precedência com recurso à origem, da versão 3.0, foi revogada.

4 Classificação da produção

A produção é avaliada por produto, linha ou versão, conforme o alcance das evidências. Não é preciso calcular o valor dos insumos nacionais nem a proporção de componentes brasileiros: a produção nacional inclui transformação ou montagem industrial relevante no Brasil, mesmo com insumos importados.

Classificações públicas da produção
ClassificaçãoCritérioProdução brasileira para o selo?
Produzido no BrasilFabricação ou transformação substancial realizada no Brasil.Sim, se verificada.
Montado no BrasilMontagem industrial relevante realizada no Brasil.Sim, se verificada.
Desenvolvido, Impresso ou Serviço executado no BrasilEquivalentes nacionais para software, livros físicos e serviços (ver regras por categoria).Sim, se verificada; indicado separadamente.
Produção internacionalOperações finais relevantes em diferentes países, ou versões de origens distintas sem identificação segura da versão considerada.Não automaticamente.
Produzido no exteriorFabricado fora do Brasil e importado pronto, sem industrialização relevante aqui.Não.
Não verificadaFaltam evidências suficientes para classificar a produção.Não.

O que não é produção brasileira

Revenda, distribuição, armazenagem, rotulagem, reembalagem simples ou pequenos ajustes não são produção brasileira para esta finalidade. Matérias-primas e peças importadas não tornam estrangeiro um produto fabricado ou montado no Brasil. A localização de uma fábrica no país não comprova a fabricação de todos os produtos da marca.

5 Regras por categoria

O que conta como produção relevante em cada categoria
CategoriaCritério produtivo
Alimentos e bebidasElaboração e processamento: transformação, fermentação, cozimento, beneficiamento e envase integrante do processo. Mero reenvase ou rotulagem de produto acabado não basta.
Bens industriaisFabricação ou montagem industrial relevante, distinguindo a importação do bem completo.
Software e aplicativosDesenvolvimento substancial do produto (Desenvolvido no Brasil). Servidores, bibliotecas externas ou revenda de licenças não definem a produção.
ServiçosExecução efetiva do serviço (Serviço executado no Brasil). O país do faturamento não determina sozinho a execução.
Livros físicosImpressão da edição (Impresso no Brasil). Autoria e editora são informações próprias da obra; a classificação da marca segue o controle do selo editorial.
E-booksProdução editorial e digital, sem simular local de impressão.

Os equivalentes nacionais — desenvolvido, impresso e serviço executado no Brasil — satisfazem a condição produtiva do selo e entram no filtro “Produção brasileira”, sempre identificados pelo próprio nome.

6 Evidências e estados de verificação

Toda classificação aponta para fontes verificáveis, com data ou período de referência e justificativa. As exigências são as mesmas para resultados brasileiros e estrangeiros.

  1. Verificada por evidência direta

    Fonte específica que comprova a afirmação: documento oficial, rótulo que identifica o fabricante, documento societário, declaração técnica do fabricante ou registro público.

  2. Verificada por convergência

    Conjunto coerente de evidências positivas e independentes que, analisadas em conjunto, fundamentam a conclusão. Para a produção, é preciso demonstrar o vínculo entre este produto e a fabricação, sem contradições não resolvidas. Somar “fábrica no Brasil + catálogo + CNPJ” não basta.

  3. Declarada

    Informação atribuível a uma fonte identificada, cuja suficiência ainda precisa ser avaliada ou tem limitações relevantes.

  4. Indiciada / em análise

    Informações sugestivas, incompletas ou conflitantes, insuficientes para confirmação.

  5. Não verificada

    Nenhuma base suficiente para a classificação pretendida.

Valor e estado de evidência são campos diferentes. “Produzido no Brasil — indiciado” não autoriza selo; “Produzido no exterior — verificado” autoriza informar produção estrangeira. A ausência de prova não é tratada como prova negativa.

A evidência de uma linha pode abranger versões comprovadamente equivalentes, sem exigir comprovante de cada lote. Havendo diferenças conhecidas entre mercados, modelos, apresentações ou períodos, a classificação é discriminada.

7 Selo de Brasilidade

O Selo de Brasilidade é uma identificação informativa do Do Brasileiro, atribuída a um produto — não a uma empresa nem a uma marca isoladamente.

Selo de Brasilidade

Regra de concessão

  • (A) a marca principal do produto está sob controle empresarial brasileiro verificado e aprovado; e
  • (B) a produção daquele produto ou versão está classificada como brasileira, com evidência suficiente e aprovação editorial — produzido ou montado no Brasil, ou o equivalente nacional da categoria.
Resultado do selo
MarcaProdução do produtoSelo
Brasileira, verificadaBrasileira, verificadaSelo de Brasilidade
Brasileira, verificadaAinda não verificadaPendente de verificação da produção
Não determinadaBrasileira, verificadaPendente de verificação da marca
Estrangeira, verificadaBrasileira, verificadaSem selo; aparece no filtro “Produção brasileira”
Brasileira, verificadaProduzido no exterior, verificadoSem selo
Controle compartilhado ou dispersoQualquerSem selo pela regra atual

O selo não é nota nem certificação

O selo não é nota, percentual de Brasilidade, certificação oficial nem indicador de qualidade. O valor que ele agrega ao produto é decisão do consumidor. Não há selo pela origem histórica nem concessão automática a partir de dados sugeridos por inteligência artificial.

O selo é recalculado sempre que a classificação da marca ou a da produção muda, e cada alteração fica registrada no histórico do produto. A ficha distingue pendente (falta evidência) de sem selo (condição comprovadamente não atendida). A ausência do selo não significa que o produto seja estrangeiro.

Filtros independentes

  • Marca brasileira, na área Marcas e nos filtros de Produtos — somente controle verificado.
  • Produção brasileira — produzido e montado no Brasil verificados, mais os equivalentes nacionais, indicando o subtipo.
  • Com Selo de Brasilidade.
  • Resultados não classificados têm filtros próprios e nunca aparecem como estrangeiros. Combinar “marca brasileira” e “produção brasileira” não equivale ao selo sem aprovação editorial.

8 Relatórios de investigação

Relatório de Investigação de Marca

Pesquisa titularidade, empresa responsável, controle empresarial final, classificação da marca, evidências e pendências. Pode ser produzido sem investigar produtos.

Relatório de Investigação de Produção

Pesquisa um produto, linha ou versão: fabricante, local e natureza da produção, evidências diretas ou convergentes, temporalidade e pendências. Não precisa investigar novamente quem controla a marca.

Não é necessário um terceiro dossiê reunindo as duas pesquisas: o selo combina as classificações aprovadas. Cada relatório público informa data, versão do protocolo, ferramenta utilizada quando conhecida, fontes originais, conclusões, limites e estado da revisão editorial.

Relatório elaborado com assistência de inteligência artificial é documentação da pesquisa — não é fonte primária nem auditoria. Fontes e afirmações ficam vinculadas ao campo que fundamentam, e informações confidenciais não são expostas.

9 O que não é interpretado como prova

  • CNPJ, sede, fábrica ou nome brasileiro não comprovam controle brasileiro da marca.
  • Fundador ou sócio-administrador brasileiro não comprova controle final; a nacionalidade não é presumida pelo nome da pessoa.
  • A origem histórica brasileira não comprova o controle atual.
  • Fabricar ou operar comercialmente uma marca não implica ser sua titular.
  • Uma fábrica no Brasil não comprova a fabricação de todos os produtos da marca.
  • A classificação de uma linha não comprova a de todos os seus modelos com diferenças conhecidas.
  • Ausência no catálogo ou falta de prova não é evidência de origem estrangeira.
  • Texto gerado por inteligência artificial não é fonte primária.

10 Exemplos de classificação

Casos conceituais, que não se referem a marcas reais.

Situação → marca, produção e selo
SituaçãoMarcaProduçãoSelo
Marca criada no Brasil, controle não determinado; produto feito no Brasil (verificado)Não determinadaProduzido no BrasilPendente
Marca criada no Brasil, controle estrangeiro verificado; produto feito no BrasilEstrangeiraProduzido no BrasilSem selo
Marca criada no exterior, controle brasileiro verificado; produto feito no Brasil (verificado)BrasileiraProduzido no BrasilCom selo
Controle brasileiro verificado; montagem industrial relevante no Brasil verificadaBrasileiraMontado no BrasilCom selo
Controle brasileiro verificado; produto importado prontoBrasileiraProduzido no exteriorSem selo
Controle brasileiro verificado; produção apenas indiciadaBrasileiraIndiciadaPendente
Controle compartilhado ou dispersoCompartilhado / dispersoQualquerSem selo
Sócio-administrador brasileiro localizado, sem prova do controle finalNão determinada—Pendente
Uma marca brasileira com dois produtos de origens produtivas diferentesBrasileiraClassificada item a itemSomente no produto que cumpre os requisitos

Em nenhum caso é calculado um índice como “73% brasileiro”. Cada pessoa avalia o que considera relevante.

11 Limites e versões

  • A classificação e o Selo de Brasilidade são uma metodologia informativa própria do projeto e não representam certificação oficial de origem.
  • Estruturas societárias e cadeias produtivas mudam. Classificações são revistas quando surgem novas fontes, preservando o histórico.
  • A metodologia não mede qualidade, sustentabilidade, impacto econômico ou qualquer atributo além do controle da marca e da localização da produção.
  • Mudanças são públicas e registradas, conforme as regras de evolução das normas.

Histórico de versões

Versão 4.0, de 15 de outubro de 2026: separa a investigação de marcas da investigação de produtos, define a nacionalidade da marca pelo controle atual verificado e exige as duas classificações verificadas para o selo. Versão 3.0: substituída em 15 de outubro de 2026; não vale mais como regra. Classificações feitas sob a versão anterior foram mantidas como registro histórico e não concedem selo até nova revisão.

Uma plataforma construída por todos.

Informação documentada, revisável e aberta à contestação.

Veja como consumidores, colaboradores, fabricantes e revisores participam da construção do catálogo.